Técnicas Avançadas de Yoga

Lições

Lição no. 10 (a primeira da série) – Porquê esta discussão?

De: Yogani
Data: Dom 16 Nov, 2003 11:45h

Toda a gente sabe que é especial, que há algo mais do que o nascimento, vida e morte. Ressoa algures fundo dentro de todos nós. Passamos a nossa vida a tentar ir para além dos nossos limites para sermos algo mais, de uma forma ou de outra. Às vezes fazemos asneiras nestas nossas tentativas. Outras vezes progredimos. Mas muitas vezes vamos andando, esperando que alguém nos abra uma porta. Se somente alguem abrisse nos entraríamos sem hesitações. Ou será que sim?

Este é o primeiro passo crucial, querer entrar neste “algo” especial em nós. Ter vontade de o fazer. Deseja-lo. Estar desesperado por isso. Eu estou aqui porque fui um desses durante muitos anos, e sei que ha-de  haver outros. Quero disponibilizar alguns métodos, métodos que funcionam. Ferramentas. São postos à sua consideração. O resto é consigo.Falaremos de filosofia, mas não muito. Principalmente falaremos sobre praticas de yoga, como funcionam, o que fazem, e como aplica-las. E como se podem integrar e como se equilibram umas às outras como que por magia. É por isso que vão ouvir aqui muito a frase “práticas (ou técnicas) integradas”. Não é uma ideia nova. Os Yoga Sutras de Patanjali descrevem um caminho prático de oito membros ou ramos. A maioria das tradições fixava-se mais num ramo ou noutro. É bastante natural fazer-se isso. Quantas bolas de malabarismo se consegue manter no ar ao mesmo tempo? Mas se se quiser mesmo progredir nesta vida deve-se diversificar os esforços no caminho que se quer seguir. É assim com todas as coisas da vida. A prática espiritual não é diferente neste sentido.

Falaremos de muitos caminhos internos aqui – os caminhos para o divino em si. Como nos abrirmos realmente. Está preparado para isso? Deseja-lo? Nem toda a gente o deseja. Mas toda a gente o fará, mais cedo ou mais tarde. Na verdade, um pouco de prática promove o fogo do desejo espiritual. Basta um pouco de prática para abrir a porta o suficiente para que este desejo do divino cresça. Então ai estaremos a arder de desejo e quereremos conhecer mais práticas e métodos mais poderosos para entrarmos. É um tipo de dependência – a dependência divina. Eu confesso que sou um dependente deste jogo das práticas espirituais. É uma espiral de êxtase que nos puxa para alem da percepção terrena que é limitada. Tudo parecerá diferente, no início só um pouco, mais tarde muito mais. Por isso se não quiser estar inspirado divinamente, adito espiritualmente, então será melhor manter-se afastado. Porque os melhores meios estão expostos aqui. Se puser o coração e mente neles, alcançará o objectivo. A sério. E a partir daí nada mais será o mesmo. Irá rir e rir quando vir como tudo é realmente.

Esta discussão é para aquelas almas sábias, as que estão preparadas para fazer o que for preciso durante o tempo que for preciso. Estavam os sábios de antigamente menos comprometidos do que isto? Claro que não. Deslumbramo-nos com as suas maravilhosas histórias nas escrituras. Agora é exactamente o mesmo. Retirará das suas práticas o que puser nelas. Sempre foi assim.

Porque nos aborrecermos com isto? Para ser honesto, porque é o mais alto que podemos alcançar. O prazer é muito além do que quer que experienciemos nesta terra. Mesmo. A essência da experiência divina é um infindável êxtase devastador e uma paz interior inabalável. Parece contraditório não parece? Mas é assim mesmo. Mas não acredite nas minhas palavras. Tente alguns destes métodos e vera’ por si próprio. Está tudo à sua espera. De uns passos pequeninos e cedo estará a avançar em grandes saltos. Isto é, assumindo que estás preparado, e escolher cada dia para ir mais além. Lembre-se, é a única coisa que podemos levar connosco quando esta vida terminar.

Algumas das práticas que discutiremos aqui incluem:

– Cultivar o silêncio interior permanente através da Meditacao.

– A abertura dos nervos subtis através de Pranayama (controlo da respiração).

– Estimular a energia divina através de manobras e posturas físicas.

– Cultivar o desejo divino e conduta.

– Cultivar energia sexual com um novo propósito.

– Cultivar a consciência interna silenciosa no nosso exterior de uma forma poderosa.

Algumas desta técnicas parecerão familiares. Outras parecerão radicais. Combinadas de forma específica, elas correspondem a um poderoso sistema de yoga. Estes meios são demasiado úteis para ficarem reservados só a alguns. Por isso desfrute. Se procura o conhecimento da transformação humana então é digno deles e veio ao local certo.

O guru está em si.

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Lição 11 – O que é o Yoga? O que é a Religião?

De: Yogani
Data: Dom 16 Nov, 2003 11:47

Yoga. Religião. Estas duas palavras conjuram um sem número de imagens, não é? Nem todas elas claras. Nem todas boas. Mas não entremos em dilemas da humanidade por agora. Mantenhamo-nos no básico. Porque as práticas espirituais são vistas da melhor forma pelo básico, e são quase sempre enubladas pela coloração cultural imbuidas nestas duas simples palavras.

Yoga significa “unir”. Religião significa “ligar de novo”. Hmmm…significados semelhantes. Mas unir ou ligar de novo o que? Ah…isto é a essência do problema. Nós somos, ou parece que somos, duas coisas que se devem juntar de novo. Por um lado nós existimos no mundo do espaço e do tempo, um mundo que apreendemos com nossos sentidos. Por outro lado somos observadores do mundo, algo por detrás de tudo, dentro de tudo. Somos conscientes. Cientes. Somos, ao mesmo tempo, sujeito (observador) e objecto (observado). E estas duas coisas estão separadas. Mas terão que estar? Estarão mesmo separadas? Yoga e religião dizem que não. Assim o processo de juntar de novo começa aqui. Não importa que outras coisas terás ouvido, isso é o que yoga e religião realmente significam.

Mas porquê uma separação logo à partida? Se os dois são realmente um, porque há dois? Pense sobre si um minuto. Quem é voce? Muitos de nós apontam para os nossos corpos e dizem “Este sou eu”. Todos nós percepcionamos algo mais mas o melhor que podemos fazer é observar o nosso corpo e dizer “Este sou eu. Este é o meu corpo. O meu nome é Joaquim Não-Sei-Das-Quantas. Posso pensar e sentir e isso é também parte de mim”. Se dissesse a alguém “Eu sou algo para além de tudo isto que vês, e para além de tudo o que sinto e penso. Eu sou consciência”, pareceria um pouco estranho nao e’? E porquê estranho? Porque nós nos identificamos com as nossas percepções dos nossos corpos/mentes e com este mundo. E’ um hábito. Um hábito biológico e neurológico profundamente enraizado. E não só isso. Por causa do nosso hábito de imprimir o nosso sentido de identidade com o nosso corpo/mente, vemos tudo o que é físico e que nos rodeia como separado de nós próprios. Assim o mundo torna-se um estranho para si mesmo. Através do nosso processo de percepção identificada, o uno transformou-se em muitas coisas separadas.

Yoga e religião tratam de aclarar a identificação da consciência que levou a que o que é uno se tornasse em vários. Mas o mundo não desaparecerá. Apenas se verá pelo que realmente é, um fluir do que é uno, o seu eu verdadeiro. Aí torna-se num mundo muito mais amigável. Esse é o objectivo, encontrar a felicidade nas nossas vidas no mundo. Mesmo que tudo continue a avançar para a frente através das sombras da aparente separação, nós não temos que ver as coisas assim. Esta é a promessa do yoga e da religião. Esta é a promessa das práticas espirituais. É uma promessa boa. Cabe-nos a no’s realizar a promessa do yoga e da religião, usando os métodos que nos são oferecidos.

O unir não se trata só de um entendimento intelectual da situação, apesar de isso não desajudar. Trata-se de alterar o nosso funcionamento mais profundo, biologicamente e neurologicamente. Então a nossa experiência muda. A partir daí, os nossos pensamentos, sentimentos e acções mudam, tornando-se cheios de amor e propósito. Todos nós podemos sempre ter um pouco mais disto. A identificação dissolve-se gradualmente, e algo estupendo cresce dentro de nós. Yoga não é só um processo intelectual. É físico, como pode comprovar qualquer pessoa que já participou numas aulas de yoga. As práticas de Yoga operam a muitos níveis – físico, mental, emocional, neurológico – e em galáxias de energia arrebatadora interior!

O processo de união começa com o contacto directo com o nosso interior, a nossa consciência. Quando tivermos estabelecido um pé firme na consciência, podemos proceder a partir daí para muitas outras coisas. Tornar-se ciente da nossa consciência mais profunda de uma forma regular é algo que nos proporciona paz e é agradável e pode trazer alívio imediato a uma vida errática e acelerada. Isto é conseguido através da meditação. Um tipo especifico de meditação a que chamei meditação profunda. Esta é a primeira técnica de yoga avançada que vamos aprender no nosso caminho ate à união, no caminho de nos ligarmos de novo. É um bom primeiro passo que traz grandes resultados em troca de um compromisso diário reduzido.

“Compromisso diário?”, ouço-o perguntar. Isto é do que vamos falar a seguir. Pois sem um compromisso por um esforço diário, estará a perder o seu tempo aqui, assim como em qualquer outro lado.

O guru está em si.

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Lição 12 – O Ingrediente Essencial – Desejo

De: Yogani
Data: Dom Nov 16, 2003 11:48am

É senso comum o facto de que se se quer ter sucesso em algo, no que quer que seja, deve-se deseja-lo de forma continua, e estar disposto a trabalhar para atingir esse desejo todos os dias. Pense nas pessoas com mais sucesso que conhece. Não é isto que elas têm em comum? Se olharmos para as suas vidas vimos que trabalharam longa e arduamente para atingir a excelência nas áreas que escolheram. Atrás disso, um desejo insaciável de obter sucesso nos seus esforços manteve-os caminhando em frente, ultrapassando obstáculos, trabalhando durante anos na direcção do seu objectivo. Passa-se a mesma coisa no yoga e na religião, onde se trabalha para a união divina.

Jesus disse, “Louvados são aqueles que tem fome e sede de justiça, pois esses serão saciados” [n.t.: isto é a tradução literal do inglês “Blessed are those who hunger and thirst after
righteousness, for they shall be filled”; penso que a tradução bíblica portuguesa é a do Envangelho de Mateus “Avante os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados”]. Também disse “Procura e encontrarás. Bate à porta e a porta se abrirá para ti” (n.t.: tradução literal do inglês “Seek and you will find. Knock and the door will open to you”; uma passagem semelhante da bíblia parece ser “Que aquele que procura não cesse de procurar o que procura. E quando encontrar o que procura, ficará alterado, maravilhado e reinará sobre todas as coisas”).

Esta é a formula mágica – desejo em relação a um objectivo, que cria acção em direcção a esse objectivo. O desejo contínuo é o combustível. A acção diária é o fogo. A palavra “contínuo” é importante, assim como é a palavra “objectivo”. Sem estas duas funções operativas, os desejos são erráticos, as acções sem foco, e não acontece muito. Com eles, tudo é atingível.

Se cultivarmos o nosso desejo de forma a se tornar focado de forma continuada num objectivo determinado, tal como na união divina, estaremos a cultivar um tipo de desejo especial. Chama-se “devoção”. Devoção é o fluir contínuo do desejo na direcção de um determinado objecto ou objectivo. Todos nós estamos familiarizados com o conceito de devoção. É como explicamos o sucesso de grande feitos: “Oh, ela é tão devota ao seu trabalho”. Ou de grandes místicos: “Oh, ela é tão devota a Deus”. Não é coincidência que a devoção e a grandeza andam lado a lado. A primeira leva invariavelmente à segunda. A segunda não pode acontecer sem a primeira.

Qualquer que seja o seu conceito de iluminação, qualquer que seja a tradição ou credo no qual se insere, o que quer que o inspire na direcção do desenvolvimento espiritual, cultive isso. É o motor da prática. É o que nos permite manter práticas espirituais diárias durante o tempo que for necessario. Há medida que vamos praticando, a nossa experiência divina cresce, e, com isso, a nossa devoção cresce. Mais devoção intensifica o nosso compromisso com a prática, e práticas mais dedicadas levam a maiores experiências divinas que, por sua vez, aumentam ainda mais a devoção. E’ assim como evolui – devoção que leva a praticar…que leva a experiência divina…que leva a maior devoção…e por ai fora. Uma devoção mantida a nível de febre por qualquer meio possível é o melhor amigo do aspirante espiritual. Nem sempre é uma vida fácil a de se ser constantemente consumido pela “fome e sede” espirituais, mas põe-nos na estrada dourada até à iluminação. Devoção intensa para transformarmos a nossa vida através das práticas de yoga avançadas assegura que o que seja necessário fazer será feito.

Por falar em o que deve ser feito, vamos agora falar do próximo passo – desenvolver o hábito de cultivar o nosso eterno e profundo silêncio de uma forma diária. Vamos falar de meditação.

O guru está em si.

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Lição 13 – Meditação – Despertando a semente do silêncio

De: Yogani
Data: Dom., Nov 16, 2003 12:08

A sua mente tem uma propensao natural para permanecer tranquila. Quando isto acontece, entra em contacto com o seu génio interior. Albert Einstein disse que as ideias que o levaram à teoria da relatividade vieram durante momentos de tranquila reflexão. Mozart ouviu sonatas e sinfonias ressoando nos recantos silenciosos da sua mente. Tudo o que teve que fazer foi escrevê-las num papel. Todos sabemos como Isaac Newton descobriu as leis da dinâmica e gravidade relaxando debaixo de uma árvore. Se ele realmente levou com uma maçã na cabeça ou não ninguém sabe ao certo mas não há dúvida que foi a sua mente relaxada que lhe revelou um tesouro do conhecimento. Poderíamos citar mais exemplos, mas penso que já está a ver. Uma mente em silêncio possui grande criatividade. Mas isso não é tudo. Uma mente silenciosa está em paz, cheia de tranquilidade [n.t.: a palavra inglesa “bliss” tem um significado complexo que engloba paz, êxtase, prazer, adjectivos relativos a bem-estar e paz; pode também ser traduzido em bem-aventurança] e saudável, e irradia estas qualidades através da pessoa para o exterior. As pessoas que sabem como cultivar uma mente tranquila não só estão em contacto directo com a sua criatividade interna como também irradiam uma juventude e optimismo que afecta quem os rodeia. Diz-se deles que têm “boas vibrações”.

Já antes falamos de consciência (estar ciente – o observador), e do mundo objectivo (o observado). A natureza essencial da nossa consciência é silêncio pacífico e bom [n.t.: “blissful silence”, ver nota anterior sobre significado de “bliss” em inglês]. É isto que está por detrás da mente, é isto que é experienciado quando a mente se aquieta. É um armazém infinito das qualidades já referidas, o reino do que chamamos Deus, sempre aqui, dentro de nós. É por isso que está proclamado nos Salmos “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”. Para acedermos ao divino, tudo o que temos a fazer é saber como nos aquietar.

A meditação é o processo de sistematicamente deixar a mente aquietar-se por períodos específicos de tempo cada dia. Ao fazer-se isto diariamente, durante semanas, meses e anos, a quietude e a consciência tornam-se gradualmente mais evidentes quando a mente está activa, quando não estamos a meditar, e a vida do dia-a-dia torna-se mais rica. Através da meditação, a relação entre a consciência e o mundo altera-se gradualmente. Este é o processo do yoga, da união. É o primeiro passo. Apartir do momento em que este silêncio interior penetra na nossa vida quotidiana, muitas outras coisas podem ser feitas para o melhorar e expandir. Mas primeiro temos que estabelecer uma base de consciência, despertar a semente silenciosa interna do que somos, por assim dizer.

Já foi dito que a nossa mente tem uma habilidade natural de se tornar calma. No método de meditação profunda que vamos praticar aqui vamos aproveitar essa habilidade natural. De facto, em todas as práticas que serão ensinadas aqui (e há bastantes), nós estaremos a utilizar as nossas habilidades naturais. A ideia é mostrar-lhe como pode utilizar os dons que já possui. Estaremos apenas a adicionar umas alavancas aqui e ali para activar os nossos dons naturais. O resto depende de si. Se aplicar o que aprender, e o mantiver ao longo do tempo, um dia saberá que é uma máquina de paz e bondade eternas, capaz de experienciar coisas muito para além das imaginações da mente. Sim, sim, é mesmo assim. A meditação é o primeiro passo.

Os pensamentos afloram-lhe na mente desde que se levanta de manhã até ao minuto em que adormece de noite, e além disso aparecem outra vez quando se está a sonhar. Apesar disso nós dizemos que a mente tem a capacidade inata de se acalmar. Como?

Utilizaremos um pensamento para o conseguir. Não um pensamento qualquer. E’ um tipo de pensamento especial chamado “mantra”. Vamos usar um método particular de pensar este mantra que permitirá à mente fazer o que fará facilmente se lhe for dada uma oportunidade: acalmar-se.

Na verdade, qualquer pensamento pode ser usado para meditar, como foi amplamente demonstrado por investigadores nos últimos trinta anos. Mas gostaríamos aqui de usar um pensamento particular, um que tem certas qualidades vibratórias, um que produz um determinado efeito no sistema nervoso. É também um que podemos ir melhorando à medida que a nossa prática vai evoluindo, mas isso fica para mais tarde. O mantra com que iremos começar é:

…AI ÉM …

[n.t.: esta é uma nota importante. O mantra em inglês escreve-se I AM mas foneticamente lê-se AI ÉM em português, daí eu ter adoptado esta escrita. O significado de I AM em inglês é “eu sou” mas, como o autor repetirá muitas vezes nas lições, não é o significado das palavras que importa mas sim o som ou qualidade vibratória. Daí que achei mais importante a fonética do mantra do que a sua escrita – e significado – originais.]

Não focaremos no significado de I AM [n.t.: “eu sou” em inglês, foneticamente AI ÉM em português] durante a meditação. Não há dúvida que tem um significado sagrado na tradição Judaica-Cristã em particular e tem também semelhanças com outros sons sagrados de outras culturas. Mas é no som que estamos interessados, não no significado. É o som que estaremos a usar, dentro de nós. Estamos à procura das profundas qualidades vibratórias do som quando usadas de forma eficiente bem no fundo da mente e do sistema nervoso. Talvez por causa dos profundos efeitos que pode ter dentro do ser humano, este mantra tenha sido venerado durante séculos. O que faremos é concentrar-nos no uso correcto do mantra em meditação. Assim obteremos os melhores resultados.

Aqui estão as instruções de uso:

Procure um local calmo, confortável, onde se pode sentar, de preferência com apoio para as costas. Queremos remover distracções desnecessárias. Simplesmente sente-se e relaxe num local onde pode fechar os olhos durante vinte minutos sem interrupções.

Uma vez que esteja confortável, feche os olhos suavemente. Vai notar pensamentos, uma corrente de pensamentos. Não há problema. Observe-os apenas, sem lhes ligar muito. Após cerca de um minuto introduza gentilmente o pensamento…AI ÉM…e começe a repeti-lo de forma suave e sem forçar, na sua mente. Se a mente começar a vaguear até outros pensamentos vais-se aperceber eventualmente que isso aconteceu. Não se preocupe muito com isso, e’ natural. Quando se aperceber que não está a repetir o mantra, volta suavemente de novo para ele. É tudo o que tem a fazer. Repete o mantra de forma fácil e silenciosa dentro de si. Quando se aperceber que já não o está a pensar, então volta suavemente para ele. O objectivo não é manter-se no mantra. O objectivo é seguir o procedimento simples de pensar o mantra, perdê-lo, e voltar a ele quando se aperceber que o perdeu. Não resista se o mantra começar a tornar-se menos claro e distinto. Pensar o mantra não tem que ser com uma pronunciação clara. AI ÉM pode ser experienciado a muitos níveis na sua mente e sistema nervoso. Quando voltar a ele, volte a um nível que lhe é confortável, não esforçando uma pronunciação mais clara ou menos clara.

Faca este procedimento durante vinte minutos e depois, com os olhos fechados, descanse uns minutos antes de se levantares.

Esta prática é para ser feita duas vezes por dia, antes de começar o seu dia e antes de começar as actividades nocturnas. Funciona melhor antes das refeições, já que a digestão pode interferir com o processo de meditação. Faca um compromisso consigo próprio de o fazer durante uns meses. De-lhe algum tempo para funcionar. Vai ficar surpreendidíssimo com os resultados, e aí vai querer continuar em frente para muito mais.

Isto é o suficiente por agora.

Nas próximas lições vai-se entrar em detalhes quanto ao processo e consequências da meditação. Depois disso vamos começar a trabalhar com outro talento natural que todos possuímos, a possibilidade de usarmos a respiração para movermos o silêncio em nós, com infindável êxtase.

O guru está em si.

Nota: Ver lição 106 para Perguntas e Respostas acerca do mantra e da respiração durante a meditação.

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Lição 14 – Meditação – Perguntas e Respostas – Não se passa nada de especial

De: Yogani
Data: Ter 18 Nov, 2003 0:56

Pergunta: Obrigado pelas instruções de meditação. No entanto não parece que esteja a funcionar para mim. Eu repito o mantra e não se passa nada de especial. Começo a vaguear na minha cabeça em pensamentos do dia-a-dia e volto ao mantra quando me lembro, como disse, repetidamente, durante os vinte minutos. Torna-se bastante aborrecido. Talvez não esteja pronto para isto?

Resposta: O nosso sistema nervoso está programado para experienciar um silêncio divinal. De facto, fomos criados para isso. Não há ser humano que seja uma excepção. No entanto, cada sistema nervoso contem obstruções que devem ser limpas e soltas – impurezas acumuladas durante vidas que bloqueiam o nosso estado natural de nos manifestarmos no mundo, impedindo-nos de nos ver por dentro. As práticas do yoga servem para remover estas obstruções. O yoga é um processo de limpeza. É esta limpeza que traz a união entre a nossa natureza interior e exterior. Durante a meditação sabemos que o processo está a funcionar quando perdemos o mantra e damos por nós perdidos em quaisquer outros pensamentos. Durante o processo de meditação, estes outros pensamentos são um sintoma que algo foi libertado. Ao reconhecer isto, voltamos ao mantra e recomeçamos o processo. É importante ser suave com o mantra, não forçar uma pronunciação mental clara, nem forçar uma pronunciação menos clara, não forçarmos nada na verdade, só estar com o mantra com suavidade e facilidade. Se desenvolvermos este hábito de facilidade, a mente ir-se-á assentar no seu silêncio de forma natural. Estamos apenas a facilitar um processo natural na nossa mente.

Até agora, todos os nossos pensamentos conscientes têm ido em direcção ao exterior, em manifestação da mente, e do mundo. O mantra, AI ÉM serve para irmos para dentro em direcção à dis-manifestação, levando-nos à fonte dos nossos pensamentos, à fonte do que somos, consciência pura, presença infinita. Mas não é sempre experienciada desta forma gloriosa. Geralmente perdemos o mantra, temos algum tempo prazeroso quase imperceptível em que não há pensamentos nem mantra, depois apercebermo-nos que estamos perdidos em outros pensamentos outra vez, e voltamos de novo ao mantra. O processo de limpeza continua. Isto é meditação perfeita. Este é o hábito que queremos cultivar na meditação todos os dias, pois nos levará ao infinito. As experiências estarão lá há medida que o processo de limpeza continua. Mas as experiências, ou falta delas, não é a medida da qualidade do processo de meditação que estamos a fazer. O processo é muito específico e podemos ou não sentir expansão interior num dado dia. Está a ver?

De uma forma é como escavar para encontrar um tesouro. Escavar bem é remover a terra de uma forma particular que de forma eficaz nos levará à caixa cheia de ouro que está à nossa espera. O próprio escavar não se parece em nada com uma arca cheia de um ouro precioso. Mas de qualquer forma é o escavar que nos leva até ele. O bom em relação à meditação é que teremos vislumbres do tesouro durante o próprio escavar e mesmo quando não estamos a escavar, durante as nossas actividades diárias. A nossa experiência do tesouro acumula-se gradualmente ao longo do tempo à medida que vamos praticando a meditação diária. Até que um dia nos apercebemos que nós somos o tesouro. Dedicamo-nos a isto durante tempo suficiente e tudo mudou. Desde o primeiro dia que começamos a ver o mundo de forma diferente, pois através do processo de limpeza nós estamo-nos a tornar aquilo que é a base do mundo. Desde o início de tudo que temos sido isso. Com o yoga nós limpamos a janela do nosso sistema nervoso e desenvolvemos a percepção muito clara de que isso é verdade. Isto é o que nós somos. O mistério da vida está a ser descoberto. Nós somos aquilo que está por detrás de tudo. Nós somos a paz e alegria eternas!

Por isso continue. Va alumiando continuamente o fogo do seu desejo de querer conhecer a verdade em si. Isto fará com que queira continuar. Ao longo do caminho encontrará incentivação dentro de si. Continue com o processo de meditação de vinte minutos duas vezes ao dia diariamente. À medida que as experiências irão sendo mais profundas não vai querer parar de ajudar o florescer desta habilidade natural que tem dentro de si, porque é o seu próprio ser que está a ser descoberto. Será auto-propulsionado.

No devido tempo, adicionaremos práticas avançadas de yoga que irão aumentar o poder da meditação. Se uma boa mangueira não consegue limpar toda a sujidade, temos a opção de a ligar a um compressor de ar.

O guru está em si.

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Lição 15 – Meditação – Perguntas e Respostas – Irrequieto

De: Yogani
Data: Qua 19 Nov, 2003 13:01

Novos Membros: É recomendável que comece a ler no início do arquivo de lições (a primeira lição é “Porquê esta discussão?”), já que as lições precedentes são um pré-requisito para esta.

Pergunta: Desde que comecei, senti uma boa sensação de paz e tranquilidade durante uns dias. A partir daí comecei a sentir-me agitado durante a meditação e irritado durante o dia. O que se passa?

Resposta: Apesar da limpeza do sistema nervoso através da meditação parecer um processo simples, é bastante delicado na verdade. O procedimento que usamos é simples – pensar o mantra de forma suave, deixá-lo refinar naturalmente, perdê-lo, apercebermo-nos que o perdemos, e então voltar a ele suavemente novamente sem forcar uma pronunciação clara ou pouco clara…e por aí fora durante 20 minutos duas vezes por dia. Mas não se deixe enganar pela aparente simplicidade. Não o tome de forma leve. Isto é uma prática avançada e poderosa. Estamos a facilitar várias vidas de obstruções a serem libertadas naturalmente do fundo de nós. São stresses e tensões inculcadas no nosso sistema nervoso que restringem a nossa visão da verdade dentro de nós e à nossa volta. Já nascemos com algumas destas restrições. Outras adicionamos nesta vida. Está tudo a ser libertado, um pedaço de cada vez, durante a meditação. É um trabalho imenso, com resultados profundos.

Se o processo de purificação estiver um pouco desequilibrado, algum desconforto pode ocorrer – agitação. irritabilidade. Sensações físicas desconfortáveis. Inquietude. Pensamentos desagradáveis. Coisas assim. Felizmente, há métodos para harmonizar o processo de meditação se há algum desconforto. A primeira coisa a fazer é tirar bastante tempo de descanso no final da meditação. Lembre-se que durante a meditação um processo de limpeza interna está a ocorrer. Pode parecer que não se passa nada de especial, mas se saltar da meditação imediatamente para a vida diaria sem descansar um pouco antes, e’ provavel que se sinta irritado durante algum tempo – mesmo até todo o dia. Não se irrite com os seus entes queridos, amigos ou colegas de trabalho. Veja essa irritabilidade pelo que é, uma desarmonia na sua prática. Tire sempre pelo menos uns minutos sem fazer nada (relaxar, não pensar o mantra) no fim da meditação. Isto permite que as tensões e os stresses que foram libertados do sistema nervoso durante a meditação se dissipem de forma inofensiva. Então, quando se levantar, sentir-se-á leve e refrescado. Se não se sentir assim provavelmente não descansou o tempo suficiente. Por isso descanse no final o tempo que for necessário para permitir uma transição suave da meditação para a actividade. Pode até desejar deitar-se (estender-se) um pouco após a meditação. Cada um é diferente. Procure o que é melhor para si no final da meditação.

Algumas pessoas sao sensiveis à meditação. Basta um pouco para irem longe. Isto é uma coisa boa. Se for um destes afortunados deve ter o cuidado para equilibrar a sua rotina de forma a não se sentir desconfortável devido à grande quantidade de limpeza a ocorrer. Se o facto de se estender e descansar um pouco ao fim de vinte minutos de meditação não ajudar a assentar as coisas, então talvez seja necessário encurtar o tempo de meditação para quinze minutos. Se isto ainda causar desconforto tente então dez minutos. Procure o seu equilíbrio. E descanse sempre um pouco ao sair da meditação.

Por vezes algum desconforto físico pode ocorrer durante a meditação. Isto é geralmente um sinal da libertação de obstruções no sistema nervoso. Se interferir com o simples processo de meditação então interrompa por um bocado o mantra e permita que a sua atenção pouse sobre o desconforto físico. Fique com ele por uns momentos. Geralmente isto dissolve o desconforto de forma natural. A partir daí pode voltar para o mantra e continuar a meditar até ao fim do seu tempo pre-estabelecido. Conte o tempo passado com a atenção no desconforto físico como tempo de meditação também. Se a sensação não se dissolver então deite-se uns instantes até que esta se dissolva. É uma coisa boa que está a ocorrer. Uma grande obstrução está a ir-se. Deixe-a ir de forma natural, suavemente. O mesmo procedimento pode ser aplicado se se deparar com uma barreira de pensamentos impenetrável, que pode ou não ser acompanhada de sensações físicas. Se não conseguir regressar facilmente ao mantra, fique então com os pensamentos até estes dissiparem o suficiente de forma a permitir-lhe voltar ao mantra outra vez de forma fácil. Lembre-se que a meditação não é uma luta com actividades mentais ou físicas que possamos ter. Estas coisas são sintomas da libertação de obstruções do fundo do nosso sistema nervoso. Simplesmente deixá-mo-las partir. O nosso trabalho consiste em seguir o procedimento simples de pensar o mantra e deixar que o processo de limpeza interna se desenrole. Isto não é uma guerra ao nível da mente consciente. A esse nível nunca se pode ganhar. Estamos a trabalhar de dentro, por dentro e para além do subconsciente. Para podermos fazer isto usamos a habilidade natural de mente de nos levar para dentro. Para isso, aprenda a pensar o mantra de forma simples, e a libertá-lo dentro de si.

A meditação é o método mais eficaz de operar dentro da mente subconsciente e de limpá-la. Com a meditação, viajamos facilmente para além do subconsciente até à nossa consciência mais profunda, a fonte de tudo o que é verdadeiro e evolutivo. É a nossa consciência que remove os obstáculos ou obstruções internas, se lhe dermos a oportunidade através da meditação. Há medida que o tempo vai passando, à medida que os obstáculos vão sendo removidos, encontramos mais e mais silêncio cheio de paz e alegria nas nossas vidas diárias. Isto é o inicio da iluminação [n.t.: enlightenment em ingês], o nosso estado natural. Por isso, continue a limpar a janela do seu sistema nervoso cada dia.

O guru está em si.

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Licao 16 – Meditacao – Perguntas e Respostas – O paraiso
[n.t.; “Bliss” no original ingles . “Bliss” tem uma tradução complexa englobando sensações de prazer, paz, alegria, ou paraíso, céu, etc.]

De: Yogani
Data: Dom 23 Nov, 2003 14:42

Novos Membros: É recomendável que comece a ler no início do arquivo de lições (a primeira lição é “Porquê esta discussão?”), já que as lições precedentes são um pré-requisito para esta.

Pergunta: Tenho-me sentido a encher de paz desde que comecei a meditar. Sento-me e penso AI EM algumas vezes e desapareco dentro de um silencio vivo, quase palpavel [n.t.: “tingly” em ingles]. Ontem desapareci durante dez minutos antes que me tivesse apercebido. Entao pensei AI EM de novo e perdi-me em beatitude outra vez. Sinto tamanha gratidao. A minha orientacao e’ Catolica e tem sido dificil para mim rever-me nas tradicoes orientais, apesar de sentir que ha’ muito valor nelas. Isto [licoes AYP] parece-me uma aproximacao fantastica – uma ponte. Sinto-me mais proxima de Cristo. Isto e’ real?

Resposta: Ha’ medida que a nossa experiencia cresce ela estabiliza-se num plano mais elevado, e depois continua a crescer com a pratica, nunca deixando de se expandir, e entao teremos a resposta ‘a pergunta: e’ isto real? A resposta esta em si. Esta e’ a verdade da vida espiritual – ha’ medida que vamos praticando e nos abrindo por dentro, a experiencia torna-se valida por si mesma. Nao a tera que procurar em nenhum lado para a provar a si mesma. Quando descobrirmos isto, a nossa vida torna-se numa alegre viagem interminavel de auto-descoberta. Nestas condicoes, a vida humana transforma-se gradualmente num caleidoscopio de alegria e paz.

Jesus disse “Procura primeiro o reino de Deus dentro de ti, e tudo te sera’ adicionado.”
Alegria e paz interior sao o seu direito de nascenca. E’ tempo de avancarmos e reclamarmos o que temos direito e acordar as potencialidades naturais com as quais nascemos.

E’ uma viagem longa para a maioria de no’s. Levou uma grande quantidade de anos para nos tornarmos completamente bloqueados em relacao ‘a nossa verdadeira natureza. E’ perfeitamente logico que levara’ algum tempo para nos abrirmos de novo, mesmo com as melhores ferramentas. Ao longo da viagem, por vezes, iremos experienciar uma clara visao dessa alegria e paz a borbulhar dentro de nos. Outras vezes vamo-nos sentir bloqueados, ou como se estivessemos a ser mexidos por dentro ‘a medida que continuamos com a nossa meditacao diaria. O processo vai-se desenvolvendo de muitas formas. Com o tempo, a alegria e paz vao perdominar, e veremos o mundo como nunca o tinhamos visto antes. Essa alegria vai estar a borbulhar por todo o lado, constantemente. Um cano entupido nao pode permanecer entupido para sempre se continuarmos a lava-lo cada dia com a agua pura da consciencia.

A alegria e paz que sente sao um tesouro, e com certeza reais, mas lembre-se tambem que havera ciclos de experiencia ‘a medida que a sua experiencia de meditacao avanca. ‘As vezes sentir-se-‘a como quando escreveu agora sobre estas boas sensacoes. Outras vezes podera nao sentir coisas tao agradaveis quando a limpeza profunda se vai fazendo. Podera ainda haver outros momentos em que parecera’ que esta’ parado no mesmo tipo de experiencia. Continue a meditar cada dia, sem se importar com o tipo de experiencia que tenha. A longo prazo, o que importa e’ a sua pratica diaria. Quaisquer que sejam as experiencias que tenha, se a sua pratica for correcta e consistente, vera resultados no final.

Vai experienciar muitas emocoes em relacao ‘a sua viagem: assombro, reverência, gratidão, impaciência, tédio, raiva, frustração, dor…quaisquer que sejam os sentimentos, use-os para redobrar o seu compromisso com a pratica. Se puder transmutar os seus sentimentos, quaisquer que eles sejam, num desejo inesgotavel de praticar diariamente, entao nao podera’ falhar. Pois entao sera’ um(a) devoto(a). E aqueles que sao devotos inabalaveis alcancam sempre o sucesso, mais cedo ou mais tarde. O seu desejo sera sempre o ingrediente essencial. Cultive-o bem.

O guru esta em si.

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Lição 17 – Perguntas e Respostas sobre Meditação – Adormeci?

De: Yogani
Data: Terca, 25 Nov 2003 0:12

Novos Membros: É recomendável que comece a ler no início do arquivo de lições (a primeira lição é “Porquê esta discussão?”), já que as lições precedentes são um pré-requisito para esta.

Pergunta: Acho que adormeci durante a meditação, embora ache que nao perdi a consciência. Parecia que estava acordado, mas não tinha a noção do tempo ou de qualquer outra coisa. Então apercebi-me que tinha a cabeça tombada no meu peito e entao olhei para o relógio. Trinta minutos tinham passado. Senti-me bastante grogue. Senti-me um pouco abalado e não me senti pronto para me levantar imediatamente por isso estendi-me por um bocado. Depois senti-me melhor. Sera’ que adormeci?

Resposta: Sem experiência sensorial, sem mantra, sem pensamentos, mas ainda assim consciente por dentro – estaria a dormir? Provavelmente não. A meditação produz por vezes um estado que se pode assemelhar ao sono, como você descreveu, mas onde os parâmetros fisiológicos são diferentes. O metabolismo é muito menor do que no sono. A freqüência cardíaca e a respiração são muito mais lentos do que no sono, quase que param. O corpo e a mente chegam a um estado de completo silêncio, embora ainda se esteja desperto no interior. O nível de descanso do corpo e da mente durante a meditação é mais profundo do que durante o sono. É um tipo diferente de descanso que remove impurezas; remove obstruções à consciência que o sono não pode alcançar. No entanto, a meditação não é um substituto para o sono, que tem sua própria dinâmica no ciclo de rejuvenescimento quortidiano do corpo.

Pessoas que meditam há anos talvez tenham menos necessidade de sono, devido à pureza acumulada nos seus sistemas nervosos. Não é que a meditação substitua o sono. É que o corpo e a mente gradualmente ao longo do tempo se tornaram mais purificados e por isso o corpo necessita de menor purificação durante o seu ciclo diário de sono. É a pureza resultante da continuada meditação e outras práticas avançadas de yoga que geralmente reduz a necessidade de sono. Com o tempo, a consciência mantém-se presente vinte e quatro horas por dia. Mais tarde, as actividades cotidianas, os sonhos e o sono profundo estarão todos a passar como um filme na tela do nosso silêncio interior. Neste estado nós nunca estaremos adormecidos. Este é o tipo de liberdade e felicidade que todos somos capazes de atingir naturalmente – é o nosso inalienável direito desde a nascenca.

Fez bem deitar-se no final da sua sessão até se sentir bem para se levantar e continuar o seu dia. Esta é outra circunstância onde o descanso extra após a meditação é necessário. Muita limpeza ocorreu durante a meditação. Muitos tipos diferentes de experiências podem acontecer durante a meditação, que vão desde o sublime ao ridículo. Faz tudo parte do mesmo processo de suavemente pensar o mantra e deixá-lo acalmar-se e refinar-se na mente. Então a purificação acontece. Deixa-mo-la acontecer. Depois, quando tomamos novamente consciencia, voltamos para o mantra e deixamos a mente mergulhar novamente. Este processo, feito duas vezes ao dia durante vinte minutos, irá gradualmente transformar a sua vida em felicidade.

Não se esqueça de contar todas as experiências durante a meditação, mesmo quando estiver fora do mantra, como parte do tempo total de meditacao estabelecido. Nao faz mal que tenha tomado novamente conhecimento do tempo passados trinta minutos. Foi um processo natural na sua meditação. Sempre que algo assim acontecer e você ultrapassar o tempo estabelecido, não se esqueça de passar pelo período de descanso adequado no final da sessão. Se você mantiver a sua meditação equilibrada com um montante adequado de descanso no final, você sempre se levantara’ sentindo-se renovado e pronto para a actividade do dia-a-dia.

O guru esta’ em si.

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Lição 18 – Perguntas e Respostas sobre Meditação – Encontrar o tempo

De: Yogani
Data: Sexta 28 Nov 2003, 14:28

Novos Membros: É recomendável que comece a ler no início do arquivo de lições (a primeira lição é “Porquê esta discussão?”), já que as lições precedentes são um pré-requisito para esta.

Pergunta: A meditação é muito relaxante e quero mantê-la, mas fazê-lo duas vezes por dia e’ um pouco difícil para mim. Eu viajo muito e tenho uma esposa e filhos e gosto de passar tempo com eles quando estou em casa. O tempo torna-se curto para a meditação. Qual é o seu conselho?

Resposta: Nós que temos famílias, responsabilidades, vidas ocupadas, temos uma vantagem quando se trata de fazer meditação, assumindo que somos capazes de tirar o tempo para pratica’-la. Isto porque a evolução da iluminação depende de regular interação entre a consciência e a vida mundana. Como pode a verdadeira natureza do mundo ser conhecida, se nós não estamos nela, estabilizando o silêncio cultivado durante a meditacao nas nossas actividades diárias?

O truque é fazer tempo para as nossas duas meditações diarias, pois os benefícios estarão lá. Este “fazer tempo” é uma prova da nossa vontade, a nossa devoção à possibilidades em nós. É um teste que todos nós enfrentamos todos os dias – para fazer as coisas que queremos fazer que exigem uma certa disciplina. Honestamente, não é uma questão de quanto tempo temos ou não temos. É uma questão de decidir o que é importante para nós, e fazer o que for necessário.

Ninguém pode dizer o que é mais importante para você. Só você pode saber. Esta’ inteiramente nas suas mãos, a escolha e’ sempre sua. Mas você tem uma voz interior, você sabe. Algo dentro de si convida-o para experienciar mais, sempre mais. A semente quer crescer e tornar-se numa grande e forte árvore com belas, perfumadas flores florescendo por toda ela. Deve. Somos todos chamados pela corrente evolutiva em nós. O que quer que se esteja passando nas nossas vidas, esta corrente estará lá. Não é só por nós, é para todos, e todos nós estamos a prestar um grande serviço aos outros ao decidir cultiva’-lo, primeiro ao favorecer o aumento do desejo e, em seguida, com práticas que naturalmente trazem a paz e a felicidade que residem dentro de nós.

Tendo em conta que a escolha é feita no sentido de seguir com a meditação, ela resume-se a considerações práticas. Como fazer com o tempo que tenho disponivel? É realmente muito mundano. Como vamos encontrar tempo para escovar os dentes, tomar banho, comer bem, lavar a louça, pagar as contas, e deitar o lixo fora? Estas são coisas que fazemos, porque sabemos que devem ser feitas. Fazemo-las, porque sabemos que, se não, a vida torna-se numa bagunça, numa confusão, e nós sentimo-nos mal. Poderíamos passar sem fazer qualquer destas coisas por uns tempos, mas mais cedo ou mais tarde teriamos que resolver a situacao. As pessoas que tenham sido regulares na pratica da meditação durante algum tempo desenvolveram uma atitude semelhante sobre ela. Eles sabem que tem que honrar a sua pratica, ou o resultado desejado não vai estar lá, e a vida não será tudo o que pode ser. Eles chegam à mesma conclusão sobre a meditação que têm ‘a cerca de escovar os dentes, tomar banho, ou deitar o lixo fora. E’ só fazer da meditação um hábito.

E sobre circunstâncias decorrentes que tornam a pratica de meditação parecer impossível? Você está num avião ‘as cinco da tarde com uma hora para chegar a casa. Nao tem muito que saber. Medite no avião. E os ruídos, os abanoes do avião, a turbulência? Nada disto sao impeditivos. Na meditação trata-se tudo isto como distraccoes em relacao ao mantra. Quando você se percebe que está distraido em pensamentos, ou ruídos, ou movimentos do corpo ou exteriores ao corpo, ou seja o que for, simplesmente volte de novo a atencao para a repeticao do mantra. Não é difícil meditar em aviões, comboios, veículos automóveis (não durante a condução!), salas de espera, em qualquer lugar em que você não é obrigado a estar a interagir com outras pessoas por algum tempo. Claro que, em casa, no seu local de meditação regular, é o melhor. Mas em alturas em que ha outros imprevistos e isto nao e’ possivel, quando vir a oportunidade, aproveite-a.

Se é impossível meditar ‘a sua hora habitual considere fazê-lo noutro momento do dia, um pouco mais cedo ou mais tarde. Mas não torne num hábito o de meditar antes de dormir. É melhor isto do que não meditar de todo, mas é muito melhor entrar em actividade após a meditação. O processo de purificação da consciência e o da integração no sistema nervoso acontece durante a actividade, nao ao dormir. De facto, meditar antes de dormir pode mantê-lo acordado por algum tempo. Experimente-o e veja o que acontece consigo, como reage.

Suponha que você chega a casa do trabalho e descobre que tem que sair para jantar com uns amigos dentro de meia hora. Isto é o seu tempo de meditação habitual e, normalmente, você teria mais tempo para sair com calma da meditacao. Mas desta vez não pode ser. O que faz? Sente-se e medite por cinco minutos, dez minutos, ou quinze minutos – o que você achar que e’ um bom compromisso. Aproveite o tempo que você tem para meditar e utilize-o da melhor forma que puder, permitindo sempre tempo para descansar adequadamente após a meditação e ainda sair para o seu jantar. Há uma centena de maneiras de encaixar uma meditação, se você realmente o deseja. Não torne, no entanto, este “encaixe” num hábito diário. Se você planear a sua vida com antecedência você tera’ tempo para a sua prática em noventa e nove por cento do tempo. Quando algo der errado, você ainda pode mergular alguns minutos no puro êxtase da sua consciência interior. Ajuda na manutenção da cultivo do habito da sua meditação diaria, e dá-lhe uma infusão de paz e felicidade. Mesmo um pouco de tempo em meditação é um grande passo em frente.

O seu sucesso depende do seu querer, e fazendo o melhor que pode para praticar todos os dias. Se o fizer, a sua integração na vida activa vai certamente melhorar. É uma das melhores coisas que pode fazer pela sua família. A longo prazo, isto irá transformar invisível e magicamente todas as suas vidas, e os resultados exteriores serão muito mais evidentes.

O guru esta’ em si.

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  • ricardovazmonteiro: Bom dia: Sou do Brasil e também gosto do Yogani. Eu mantenho um pequeno site o hathayoga.com.br e gostaria de saber se posso publicar sua traduç

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